Archive for junho, 2009
Maquiavel e a importância da ação
Em 1513, na cidade de Florença, Itália, foi publicado um livro muito influente. Esta obra atravessou os séculos e continua atual. Chama-se O Príncipe, de Maquiavel. Longe do preconceito gerado pelo nome no autor, podemos tirar muitas lições práticas para nossas vidas.

Naquela época, Lorenzo solicitou ao seu secretário, Maquiavel, que escrevesse um tratado onde fosse descrito o conhecimento das ações dos grandes homens. O conteúdo acabou influenciando os novos paradigmas da atividade política a partir de então. Ampliando o horizonte, podemos aplicar os conhecimentos em nosso dia-a-dia. Todo líder, se ainda não leu, acabará lendo esta obra.
Maquiavel cita que para uma pessoa ter sucesso, necessita de 3 coisas: virtù, fortuna e occasione.Virtù é a qualidade do homem que o capacita a realizar grandes obras e feitos. Também podemos entendê-la como o poder humano de efetuar mudanças e controlar eventos. É a motivação interior, a força de vontade que induz os homens, individualmente ou em grupo, a enfrentar fortuna. Ela é entendida como o acaso, o curso da história, o destino cego, o fatalismo, a necessidade natural.
Virtù e fortuna são como dois pólos entre os quais desenrola-se o nosso destino de ações. O homem de ação será a ponte que intermediará virtù e fortuna. Quando começamos um empreendimento, metade das ações do líder é determinda pela fortuna e metade pela virtù. A proposta de Maquiavel é mudar esse equilíbrio em favor de virtù. Aja e as coisas começarão a acontecer.
Romper esse equilíbrio exige sermos mais audaciosos do que prudentes. Devemos livrar-nos de nossos medos e das crenças que impedem a ação. Dessa maneira, você ficará mais atento e não deixará fugir a occasione, a ligação entre fortuna e virtù.
A chave da fortuna encontra-se na oportunidade (occasione). Maquiavel cita: “Examinando sua vida e seus feitos, veremos que nada deveram (os homens de grande feitos) à sorte, a não ser a oportunidade. Sem essa oportunidade, seus valores não teriam sido aproveitados; sem estes, a oportunidade teria sido vã”.
Reflita sobre este conceitos. Tome ação. Faça acontecer. As oportunidades estão aí e somente quando você sabe para onde está indo elas ficarão claras.
Deixe o marshmallow para depois
É realmente uma arte postergar as gratificações. Segundo Joachim de Posada, este é o principal fator para o sucesso.
Um professor de Stanford fez o seguinte experimento: uma criança de 4 anos era deixada sozinha em uma sala junto com um marshmallow. O desafio do infante era ficar sem comer a guloseima por 15 min. Ao retornar à sala, o professor daria um segundo doce caso o objetivo fosse alcançado.
O que se observou foi que duas em cada três crianças comeram o marshmallow antes do retorno do professor. O outro 1/3 pegava o objeto desejado e o cheirava, andava em volta, mostrava ansiedade, brincava com outras coisas, mas não o comia.
Como continuidade do experimento, o professor observou, 15 anos após, que 100% das crianças que conseguiram esperar para comer o marshmallow eram muito mais exitosas em seus intentos do que as que o comeram. Tinham bom desempenho na escola e nos esportes, relacionavam-se bem com os pais, amigos e professores.
Já a maioria das crianças que não conseguiram esperar apresentavam problemas escolares ou mesmo a abandonaram. Tinham notas ruins e relacionamentos não tão saudáveis.
No vídeo abaixo, você poderá ver a repetição do experimento feito com crianças colombianas realizada por Joachim de Posada. É hilário ver o comportamento infantil frente ao desafio. Você dará boas risadas!
Para conhecer mais, leio o livro Don’t Eat the Marshmallow… Yet, onde Joachim explica a importância da autodisciplina e da persistência para a obtenção do sucesso.
O restaurante da Tia Zilda

Este é o Maracujá, quem fica no Itaim em São Paulo, pois o da Tia Zilda é fictício.
Muitas vezes ficamos em dúvida na forma de chamar a atenção de algum subordinado. É uma dúvida muito comum, que só a experiência dirime.
Para ajudar, conto a estória abaixo, baseada numa história repetida pelo DeRose sempre que quer treinar os profissionais que ensinam o seu Método, do qual sou um representante orgulhoso.
A Tia Zilda era a dona de um restaurante de comida caseira no centro de uma grande cidade. Era um local simples, com mesas e cadeiras de ferro, tolhas emborrachadas com estampas de frutas, ventiladores de lanchonete e azulejos até metade da parede. Na hora do almoço, pessoas simples e trabalhadoras faziam fila para comer o prato feito do dia. Além disso, ela mandava entregar algumas marmitas na região, de tão gostosa que era a comida. Até alguns grande empresário mandavam vir a comida dela.
Com muitos quilos a mais, alguns cabelos brancos e várias rugas, pele branquinha e olhos castanho fortes, Tia Zilda tratava todos com carinho. Como uma tia mesmo. Muitos diziam que, mais do que pela comida, iam lá por ela. Firme, forte, carinhosa. Dava bronca até nos clientes que pediam fiado, pois com ela não tinha este tipo de conversa. Mas adorava contar histórias, muito engraçadas, sobre o seu passado na fazenda. Ela era cativante.
Era ela que contratava todos os ajudantes. Da cozinha e do buffet, como ela chamava. Para eles, ela era uma mãe. Fazia de conta que não via os pequenos erros, afinal muitos eram bem novinhos e estavam aprendendo a trabalhar. Mas se eles cometessem um erro mais grave ou que chateasse os clientes, aí sim ela ficava uma fera. E ai de quem chegasse atrasado. Não conhecia a Inglaterra, mas sua pontualidade era britânica.
Um dia, o Nelsinho fez uma daquelas. Estava servindo um prato para um cliente, quando soltou um espirro em cima da comida. Tia Zilda viu aquilo e ficou possessa. Olhando fimemente para o Nelsinho, ao mesmo tempo com um sorriso que só as tias têm, chegou perto dele e disse: “Nelsinho, meu filho! (todos para ela eram filhos), a Tia Zilda viu o que você fez. Não quero que isso se repita mais, pois você contaminou com micróbios a comida do freguês. Sabia que ele pode ficar doente por isso?! Em uma próxima vez, a Tia Zilda vai ser mais dura com você. Se isso se repetir, você está no olho da rua. Entendeu, meu filho? Ah, e trate de jogar esta comida fora e de lavar os pratos”.
O Nelsinho não sabia que não podia espirrar em cima da comida, afinal era assim que fazia em casa e nunca ninguém falou nada. Mas a Tia Zilda explicou de maneira tão fraternal que ele entendeu na hora. Envergonhado, olhou para a Tia Zilda com as sobrancelhas baixas e disso: “Desculpe, tia. Isso não vai acontecer mais”.
E assim foi. Nelsinho continuou caprichando, apesar de alguma bronca aqui e alí. Mas ele era tratado com respeito, como nunca tinha sido tratado. Tia Zilda, para ele, não era uma tia: era uma mãe.
Até pediu para chamá-la assim. A Tia Zilda disse que iria pensar.
A criatividade (assassinada) nas escolas
Quando eu era criança, observava que alguns colegas iam bem e outros nem tanto em suas notas escolares. Na pureza infantil, eu entendia o porquê: é que uns se adaptavam ao sistema e outros não. Eu tinha certeza de que os que tiravam notas baixas não eram burros, afinal eu convivia com eles além das paredes do educandário. Mas a grande dúvida que ficou foi a seguinte: como que uma criança percebia isso e os adultos que davam aulas e dirigiam a instituição não? Por que não havia uma preocupação sincera em desencadear uma ação para tornar a escola interessante para todos, para que todos fossem bem?
Quando digo ir bem não quero dizer somente notas boas, mas principalmente gerar conhecimento aplicado à vida. Sim, porque aprendemos de tudo na escola, menos a viver. Ninguém no ensina a viver. Aprendemos aos trancos e barrancos, com uma sucessão de erros que os mais inteligentes procuram não repetir. Mas como mudar isso?
Tomei conhecimento desta breve palestra de Sir Ken Robinson no TED Talks faz alguns dias. Pessoa inteligentíssima e com um humor inglês que muito me agrada (porque mau humor denota pouco desenvolvimento das sinapses nervosas), ele aponta o cultivo da criatividade como uma saída. E achei muito interessante quando ele diz que todas as crianças nascem artistas, mas que isso desaparece muito depois idade adulta.
Que mundo queremos deixar se não levarmos a sério a educação?
A poderosa revelação pelo derrame de Jill Bolte Taylor
Expansão da consciência? Simples parada das instabilidades da consciência? Hiperfuncionamento do lado do direito cérebro?
Seja qual for a resposta, o exemplo é inspirador.





