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Precisamos acabar com o nosso complexo de inferioridade

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Quem se melindra e briga por tudo e por nada, é portador de complexo de inferioridade. DeRose

Acabei de retornar de uma temporada de 6 semanas em New York. Uma das coisas que mais me impressionou é que as pessoas pedem licença, deculpas e dizem obrigado para tudo, mas para tudo mesmo.

Perto de onde fiquei hospedado (local o qual senti-me tão bem que até chamava de casa), existia um mercadinho 24h que eu frequentava para pequenas compras. Como a época do Natal estava chegando, começaram a vender as árvores para serem decoradas, que lá são naturais. Ficavam expostas do lado de fora, ocupando uma parte da calçada, o que limitava a passagem a uma pessoa e meia de cada vez.

Empire State Building visto do Top of the Rock. Foto: Nilzo Andrade Jr.

Empire State Building visto do Top of the Rock. Foto: Nilzo Andrade Jr.

Sempre que alguém compartilhava o passeio apertado comigo, pedia desculpas. Isso sem ter tocado-me ou feito qualquer coisa que justificasse o pedido. Ele vinha pelo fato de atrapalhar, de uma certa maneira, o livre caminho do outro. Se estávamos conversando na rua, ocupando a calçada, e alguém precisa passar no meio, pedia licença ou desculpas. Se eu me virasse para trás e alguém estava impedindo meu caminho(!), desculpas de novo. Se alguém precisa passar pela sua frete enquanto pesquisava algo no supermercado, pedia licença. E o mais bonito: sem ser subserviente. Todos com postura vencedora e educada.

Hoje fui ao mercado perto de minha casa em Curitiba. Moro em um bairro muito bom, o que faz com que as pessoas que frequentam este tipo de estabelecimento sejam de bom nível cultural. Os habitués me empurraram, cortaram a frente e bloquearam a passagem. Sabe quantos pedidos de desculpas, licença e obrigado? Nenhum. Falta de educação? Não, pois são indivíduos que tiveram acesso à boas escolas.

Quando li um artigo do DeRose hoje, veio um insight. Nós, brasileiros, temos complexo de inferioridade. Ele nos impede de sermos polidos. Ele nos faz sermos agressivos e insolentes ao andar nas calçadas, ao ocupar lugares comuns e também ao dirigir. Fomos colonizados e ainda não nos livramos deste sentimento. Para nós, pedir desculpas, licença e agradecer é um ato de rebaixamento. Sentimo-nos inferiores ao sermos educados com as pessoas.

É claro que há exceções, você pode pensar. Mas não seria bom se a exceção fosse o contrário?

Estamos em um momento histórico em que nossa projeção política e econômica está nos conduzindo ao patamar de grande economia. No ano que vem, contribuiremos para elevar a média do crescimento do PIB mundial. Estudos mostram que seremos a terceira economia do mundo em 2050. Será tão bonito se conseguirmos ser tudo isso do mundo usando as palavras obrigado, desculpe-me e com licença.

Com licença, agora vou comer meu feijão com arroz e batata-frita. Afinal, amo esse país.