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A criatividade (assassinada) nas escolas
Quando eu era criança, observava que alguns colegas iam bem e outros nem tanto em suas notas escolares. Na pureza infantil, eu entendia o porquê: é que uns se adaptavam ao sistema e outros não. Eu tinha certeza de que os que tiravam notas baixas não eram burros, afinal eu convivia com eles além das paredes do educandário. Mas a grande dúvida que ficou foi a seguinte: como que uma criança percebia isso e os adultos que davam aulas e dirigiam a instituição não? Por que não havia uma preocupação sincera em desencadear uma ação para tornar a escola interessante para todos, para que todos fossem bem?
Quando digo ir bem não quero dizer somente notas boas, mas principalmente gerar conhecimento aplicado à vida. Sim, porque aprendemos de tudo na escola, menos a viver. Ninguém no ensina a viver. Aprendemos aos trancos e barrancos, com uma sucessão de erros que os mais inteligentes procuram não repetir. Mas como mudar isso?
Tomei conhecimento desta breve palestra de Sir Ken Robinson no TED Talks faz alguns dias. Pessoa inteligentÃssima e com um humor inglês que muito me agrada (porque mau humor denota pouco desenvolvimento das sinapses nervosas), ele aponta o cultivo da criatividade como uma saÃda. E achei muito interessante quando ele diz que todas as crianças nascem artistas, mas que isso desaparece muito depois idade adulta.
Que mundo queremos deixar se não levarmos a sério a educação?
O salário do professor e do juiz
Que lÃderes formaremos quando um professor primário ganha tão pouco? Não sei se você já se fez esta pergunta, mas deveria.
A UNESCO divulgou um estudo comparativo com os salários de professores do ensino fundamental de 38 paÃses. Ficamos no terceiro lugar, perdendo para Peru e Indonésia o posto do pior salário. O paÃs-destino dos surfistas emplacou U$ 1.624 por ano, enquanto os incas U$ 4.752. O paÃs do futebol quase perdeu para os peruanos, com U$ 4.818,. Bem longe da média dos paÃses desenvolvidos, U$ 33.209 por ano.
Faça um comparativo. Um Juiz do Supremo Tribunal Federal (que tem tÃtulo de Ministro em nosso paÃs) recebe U$ 148 mil por ano. Quem faz conta de cabeça percebeu que uma pessoa formada para julgar crimes, uma função reativa, ganha quase 30 vezes mais do que uma pessoa formada para educar, uma função preventiva. Temos um sistema que investe menos no profissional que poderia diminuir o trabalho do profissional que existe para resolver coisas acontecidas. Pagamos mais para mudar o passado do que para preparar o futuro.

- Acho que alguns professores têm vontade de usar um nariz vermelho.
Para ser professor, é preciso vocação. Num sistema como o nosso, os professores natos acabam migrando para outras funções para terem uma vida digna. Com um salário merreca, afastam-se do objetivo das suas vidas. Assim, a profissão de professor tende a atrair os profissionais que, ou não conseguiram um posição melhor no mercado, ou não tinham competência para tanto.
Longe de ser simplista e determinista, já podÃamos ser um paÃs desenvolvido se a situação fosse diferente. O salário baixo dos professores indica a total falta de prioridade em investir na educação desde a época que tentamos deixar de ser colônia. É um paradoxo investir na punição, no juizado, quando temos um paÃs tão ignorante. Incentivamos o crime ao não priorizar a educação.
Pagamos bem os juÃzes e construÃmos templos seguros para o exercÃcio digno de suas funções, enquanto os professores minguam comendo mingau em escolas depredadas com alunos que os ameaçam sem punição.
Nosso paÃs precisa aplicar a polÃtica dos juÃzes nas escolas, para que elas sejam tão imponentes e seguras quanto os fóruns. Que os professores tenham status de Ministros. Que consigamos, enfim, assumirmos o papel de preparadores dos futuros lÃderes do Brasil varonil. Se não, haja senso de missão.
Veja aqui o exemplo de uma escola que acho interessante, não só por valorizar os seus profissionais, mas pela proposta de seu processo educativo.








