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“Para comandar os homens, marcha atrás deles”

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Written by Nilzo Andrade Jr.

agosto 9th, 2010 at 9:09 am

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Liderando a geração Y

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Pedrinho (poderia ser Aninha) chega para trabalhar. Abre a porta retirando os fones de seu iPod, cumprimenta a todos e dirige-se ao seu computador. Dá uma olhada em seus e-mails e no Facebook, liga a conta do Twitter, visita alguns sites de interesse, responde a um bom dia no MSN. Só para ver se tinha algo de novo, pois já estava fazendo tudo isso do seu smartphone.

Liderar essa nova geração, representada pelo Pedrinho (ou Aninha), que está chegando ao mercado é um desafio. Aliás, desafio antigo, pois sabemos que a geração atual sempre critica a sucessora. A chamada geração Y (nascidos a partir de 1980) já nasceu conectada, pois cresceu tendo acesso a uma tecnologia muito avançada. São criticados por serem dispersos, pouco comprometidos, questionadores e folgados. Mas eles já correspondem à 20% dos cargos de liderança nas grandes empresas brasileiras.

Conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo, recebendo a alcunha de multitasks. Querem e gostam de trabalhar, mas o trabalho não é sua vida. Filhos da geração X, que priorizou o trabalho em relação à família e amizades, não querem repetir o exemplo que tinham em casa.

Tem sido criados e nutridos através de muitos estímulos. Frequentam muitos espetáculos culturais e shows grandiosos. Os games tem uma presença constante em suas rotinas.

Ao mesmo tempo que estão tendo uma ascensão profissional mais acelerada do que a geração anterior, demoram mais para sair da casa dos pais. Querem a autorrealização, mas não anseiam pela independência.

Gostam de trabalhar em equipe, valorizando isso mais do que a geração X. São colaborativos pois desenvolveram-se interagindo em blogs, expressando a sua opinião com freqüência.

Neste contexto, necessitam de uma liderança que seja inspiradora, legítima e ética. Faz-se necessário que sejam estimulados de maneira constante e consistente. Gostam de boas conversas e o líder precisa estimular o bate-papo. Querem aprender, mas gostam de ensinar.

O que você pode fazer? Aqui vão algumas sugestões:

  • Procure descobrir do que o Pedrinho gosta. Esteja antenado aos seus gostos.
  • Faço-o descobrir o que o move. Converse bastante, ajude-o a descobrir o seu propósito de vida e ajude-o a realizá-lo, alinhando as metas pessoais dele com as da Unidade.
  • Exercite uma relação de liderança mais horizontal, sendo bem acessível. Ouça-o muito e dê feedback constantemente.
  • Estimule-o a fazer projetos em rede. Ações de marketing ou de fidelização em conjunto com outras Unidades, por exemplo, são uma boa pedida.
  • Deixe as coisas muito claras. A geração Y não tem a mesma iniciativa da geração X.
  • Defina muito bem qual o papel do Pedrinho, estabelecendo de maneira prática quais são seus limites, pois nasceu com uma incapacidade de percebê-los. Neste ambiente, ele se sentirá mais seguro e amparados para exercer toda a sua criatividade.
  • A ansiedade é uma constante na vida do Pedrinho. Sempre diga a ele como está seu desempenho.

Observando estes pontos, o Pedrinho (ou Aninha) poderá dar o máximo de si e você acima de 30 poderá exercer uma liderança mais eficaz. Os tempos mudam, podem ficar turbulentos e inseguros, mas quem aprende e se esforça em liderar bem sempre cativará. Essa é chave para ter cada vez melhores resultados. E também para ter uma boa relação profissional com o Pedrinho (ou com a Aninha).

Written by Nilzo Andrade Jr.

agosto 3rd, 2010 at 8:19 am

“A liderança é a capacidade de conseguir que as pessoas façam o que não querem fazer e gostem de o fazer”

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- Harry Truman, 33º Presidente dos Estados Unidos.

Written by Nilzo Andrade Jr.

agosto 2nd, 2010 at 9:09 am

Maquiavel e a importância da ação

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Em 1513,  na cidade de Florença, Itália, foi publicado um livro muito influente. Esta obra atravessou os séculos e continua atual. Chama-se O Príncipe, de Maquiavel. Longe do preconceito gerado pelo nome no autor, podemos tirar muitas lições práticas para nossas vidas.

maquiavel1

Naquela época, Lorenzo solicitou ao seu secretário, Maquiavel, que escrevesse um tratado onde fosse descrito o conhecimento das ações dos grandes homens. O conteúdo acabou influenciando os novos paradigmas da atividade política a partir de então. Ampliando o horizonte, podemos aplicar os conhecimentos em nosso dia-a-dia. Todo líder, se ainda não leu, acabará lendo esta obra.

Maquiavel cita que para uma pessoa ter sucesso, necessita de 3 coisas: virtùfortuna occasione.Virtù é a qualidade do homem que o capacita a realizar grandes obras e feitos. Também podemos entendê-la como o poder humano de efetuar mudanças e controlar eventos. É a motivação interior, a força de vontade que induz os homens, individualmente ou em grupo, a enfrentar fortuna. Ela é entendida como o acaso, o curso da história, o destino cego, o fatalismo, a necessidade natural. 

Virtù fortuna são como dois pólos entre os quais desenrola-se o nosso destino de ações. O homem de ação será a ponte que intermediará virtù fortuna. Quando começamos um empreendimento, metade das ações do líder é determinda pela fortuna e metade pela virtù. A proposta de Maquiavel é mudar esse equilíbrio em favor de virtù. Aja e as coisas começarão a acontecer.

Romper esse equilíbrio exige sermos mais audaciosos do que prudentes. Devemos livrar-nos de nossos medos e das crenças que impedem a ação. Dessa maneira, você ficará mais atento e  não deixará fugir a occasione, a ligação entre fortuna virtù.

A chave da fortuna encontra-se na oportunidade (occasione). Maquiavel cita: “Examinando sua vida e seus feitos, veremos que nada deveram (os homens de grande feitos) à sorte, a não ser a oportunidade. Sem essa oportunidade, seus valores não teriam sido aproveitados; sem estes, a oportunidade teria sido vã”.

Reflita sobre este conceitos. Tome ação. Faça acontecer. As oportunidades estão aí e somente quando você sabe para onde está indo elas ficarão claras.

Written by Nilzo Andrade Jr.

junho 30th, 2009 at 11:42 am

O restaurante da Tia Zilda

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maracuja

Este é o Maracujá, quem fica no Itaim em São Paulo, pois o da Tia Zilda é fictício.

Muitas vezes ficamos em dúvida na forma de chamar a atenção de algum subordinado. É uma dúvida muito comum, que só a experiência dirime.

Para ajudar, conto a estória abaixo, baseada numa história repetida pelo DeRose sempre que quer treinar os profissionais que ensinam o seu Método, do qual sou um representante orgulhoso.

A Tia Zilda era a dona de um restaurante de comida caseira no centro de uma grande cidade. Era um local simples, com mesas e cadeiras de ferro, tolhas emborrachadas com estampas de frutas, ventiladores de lanchonete e azulejos até metade da parede. Na hora do almoço, pessoas simples e trabalhadoras faziam fila para comer o prato feito do dia. Além disso, ela mandava entregar algumas marmitas na região, de tão gostosa que era a comida. Até alguns grande empresário mandavam vir a comida dela.

Com muitos quilos a mais, alguns cabelos brancos e várias rugas, pele branquinha e olhos castanho fortes, Tia Zilda tratava todos com carinho. Como uma tia mesmo. Muitos diziam que, mais do que pela comida, iam lá por ela. Firme, forte, carinhosa. Dava bronca até nos clientes que pediam fiado, pois com ela não tinha este tipo de conversa. Mas adorava contar histórias, muito engraçadas, sobre o seu passado na fazenda. Ela era cativante.

Era ela que contratava todos os ajudantes. Da cozinha e do buffet, como ela chamava. Para eles, ela era uma mãe. Fazia de conta que não via os pequenos erros, afinal muitos eram bem novinhos e estavam aprendendo a trabalhar. Mas se eles cometessem um erro mais grave ou que chateasse os clientes, aí sim ela ficava uma fera. E ai de quem chegasse atrasado. Não conhecia a Inglaterra, mas sua pontualidade era britânica.

Um dia, o Nelsinho fez uma daquelas. Estava servindo um prato para um cliente, quando soltou um espirro em cima da comida. Tia Zilda viu aquilo e ficou possessa. Olhando fimemente para o Nelsinho, ao mesmo tempo com um sorriso que só as tias têm, chegou perto dele e disse: “Nelsinho, meu filho! (todos para ela eram filhos), a Tia Zilda viu o que você fez. Não quero que isso se repita mais, pois você contaminou com micróbios a comida do freguês. Sabia que ele pode ficar doente por isso?!  Em uma próxima vez, a Tia Zilda vai ser mais dura com você. Se isso se repetir, você está no olho da rua. Entendeu, meu filho? Ah, e trate de jogar esta comida fora e de lavar os pratos”.

O Nelsinho não sabia que não podia espirrar em cima da comida, afinal era assim que fazia em casa e nunca ninguém falou nada. Mas a Tia Zilda explicou de maneira tão fraternal que ele entendeu na hora. Envergonhado, olhou para a Tia Zilda com as sobrancelhas baixas e disso: “Desculpe, tia. Isso não vai acontecer mais”.

E assim foi. Nelsinho continuou caprichando, apesar de alguma bronca aqui e alí. Mas ele era tratado com respeito, como nunca tinha sido tratado. Tia Zilda, para ele, não era uma tia: era uma mãe.

Até pediu para chamá-la assim. A Tia Zilda disse que iria pensar.

Written by Nilzo Andrade Jr.

junho 10th, 2009 at 10:58 am

A poderosa revelação pelo derrame de Jill Bolte Taylor

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Expansão da consciência? Simples parada das instabilidades da consciência? Hiperfuncionamento do lado do direito cérebro?

Seja qual for a resposta, o exemplo é inspirador.

 

Written by Nilzo Andrade Jr.

junho 4th, 2009 at 10:37 pm

Mensagem a Garcia: o texto de Elbert Hubbard

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Hubbard, que não tinha que seu texto seria tão citado após a publicação.

Um grama de lealdade vale um quilo de inteligência, Elbert Hubbard

Este é um dos principais exemplos de atitude frente a um desafio que conheço. História ou estória amplamente divulgada desde o século XIX, inspira-nos a tomar atitude, partir de verdade para a ação. Espero que você goste!

Tempo de leitura deste post: 10 min.

Abaixo, o texto de Elbert Hubbard, de 1899:

Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória como o planeta Marte no seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o Presidente tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. Que fazer?

Alguém lembrou ao Presidente: “Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan”.

Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias, saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para depois de três semanas, surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregando a carta a Garcia – são cousas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente. O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou da carta e nem sequer perguntou: “Onde é que ele está?”.

Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze imarcescível e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altivo no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.

O General Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma empresa, em que a ajuda de muitos se torne precisa, têm sido poupados momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada cousa e fazê-la.

Assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal feito parecem ser a regra geral. Nenhum homem pode ser verdadeiramente bem sucedido, salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer da força, quer do suborno, para obrigar outros homens a ajudá-lo, a não ser que Deus Onipotente, na sua grande misericórdia, faça um milagre enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz.

Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova. Estás sentado no teu escritório, rodeado de meia dúzia de empregados. Pois bem, chama um deles e pede-lhe: “Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corrégio “.

Dar-se-á o caso do empregado dizer calmamente: “Sim, Senhor” e executar o que se lhe pediu?

Nada disso! Olhar-te-á perplexo e de soslaio para fazer uma ou mais das seguintes perguntas:

Quem é ele?

Que enciclopédia?

Onde é que está a enciclopédia? Fui eu acaso contratado para fazer isso ?

Não quer dizer Bismark?

E se Carlos o fizesse?

Já morreu?

Precisa disso com urgência?

Não será melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer?

Para que quer saber isso ?

E aposto dez contra um que, depois de haveres respondido a tais perguntas, e explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar Garcia, e, depois voltará para te dizer que tal homem não existe. Evidentemente, pode ser que eu perca a aposta; mas, segundo a lei das médias, jogo na certa. Ora, se fores prudente, não te darás ao trabalho de explicar ao teu “ajudante” que Corrégio se escreve com “C” e não com “K “, mas limitar-te-ás a dizer meigamente, esboçando o melhor sorriso. “Não faz mal; não se incomode “, e, dito isto, levantar-te-ás e procurarás tu mesmo. E esta incapacidade de atuar independentemente, esta inépcia moral, esta invalidez da vontade, esta atrofia de disposição de solicitamente se pôr em campo e agir – são as cousas que recuam para um futuro tão remoto o advento do socialismo puro. Se os homens não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando o resultado do seu esforço redundar em benefício de todos? Por enquanto parece que os homens ainda precisam de ser feitorados. O que mantém muito empregado no seu posto e o faz trabalhar é o medo de se não o fizer, ser despedido no, fim do mês. Anuncia precisar de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar – e, o que é mais, pensam que não é necessário sabê-lo.

Poderá uma pessoa destas escrever uma carta a Garcia?

- Vê aquele guarda-livros?, dizia-me o chefe de uma grande, fábrica.

- Sim, que tem?

- É um excelente guarda-livros. Contudo, se eu o mandasse, fazer um recado, talvez se desobrigasse da incumbência a contento, mas também podia muito bem ser que no caminho entrasse em duas ou três casas de bebidas, e que, quando chegasse ao seu destino, já não se recordasse da incumbência que lhe fora dada .

Será possível confiar-se a um tal homem uma carta para entregá-la a Garcia?

Ultimamente temos ouvido muitas expressões sentimentais externando simpatia para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes desempregados à cata do trabalho honesto, e tudo isto, quase sempre, entremeado de muita palavra dura para com os homens que estão no poder.

Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalhar conscienciosamente; nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoal, que, no entanto, muitas vezes nada mais faz do que “matar o tempo”, logo que ele volta as costas. Não há empresa que não esteja despendindo pessoal que se mostre incapaz de zelar pelos seus interesses, a fim de substituílo por outro mais apto. E este processo de seleção por eliminação está se operando incessantemente, em tempos adversos, com a única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis. É a lei da sobrevivência do mais apto. Cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar os melhores – aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia.

Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra precisa para gerir um negócio próprio e que ademais se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido à suspeita insana que constantemente abriga de que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimi-lo. Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande. Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria provavelmente: “Leve-a você mesmo”.

Hoje este homem perambula errante pelas ruas em busca de trabalho, em quase petição de miséria. No entanto, ninguém que o conheça se aventura a dar-lhe trabalho porque é a personificação do descontentamento e do espírito de réplica. Refratário a qualquer conselho ou admoestação, a única cousa capaz de nele produzir algum efeito seria um bom pontapé dado com a ponta de uma bota de número 42, sola grossa e bico largo.

Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este, não é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho não estão limitadas pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente encanecidos na incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença desdenhosa, contra a imbecilidade crassa e a ingratidão atroz, justamente daqueles que, sem o seu espírito empreendedor, andariam famintos e sem lar.

Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas? Pode ser que sim; mas, quando todo mundo se apraz em divagações quero lançar uma palavra de simpatia ao homem que imprime êxito a um empreendimento, ao homem que, a despeito de uma porção de impecilhos, sabe dirigir e coordenar os esforços de outros e que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; nada, salvo a sua mera subsistência.

Também eu carreguei marmitas e trabalhei como jornaleiro, como, também tenho sido patrão. Sei portanto, que alguma cousa se pode dizer de ambos os lados.

Não há excelência na pobreza de per si; farrapos não servem de recomendação. Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.

Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer o patrão esteja, quer não. E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, tranquilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário, esse homem nunca, fica “encostado” nem tem que se declarar em greve para, forçar um aumento de ordenado.

A civilização busca ansiosa, insistentemente, homem nestas condições. Tudo que um tal homem pedir, ser-lhe-á de conceder. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda. O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: Precisa-se, e precisa-se com urgência de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.

 

Aproveite e leia a carta do autor, escrita em 1 de dezembro de 1913, sobre a repercussão do seu escrito, que no momento de criação tinha pouca pretensão:

Esta insignificância literária, UMA MENSAGEM A GARCIA, escrevi-a uma noite, depois do jantar, em uma hora. Foi a 22 de fevereiro de 1899, aniversário natalício de Washington, e o número de março da nossa revista “Philistine” estava prestes a entrar no prelo. Encontrava-me com disposição de escrever, e o artigo brotou espontâneo do meu coração, redigido, como foi, depois de um dia afanoso, durante o qual tinha procurado convencer alguns moradores um tanto renitentes do lugar, que deviam sair do estado comatoso em que se compraziam, esforçando-se por incutir-lhes radioatividade.

A idéia original, entretanto, veio-me de um pequeno argumento ventilado pelo meu filho Bert, ao tomarmos café, quando ele procurou sustentar ter sido Rowan o verdadeiro herói da Guerra de Cuba. Rowan pôs-se a caminho só e deu conta do recado – levou a mensagem a Garcia. Qual centelha luminosa, a idéia assenhoreou-se de minha mente. É verdade, disse comigo mesmo, o rapaz tem toda a razão, o herói é aquele que dá conta do recado que leva a mensagem a Garcia.

Levantei-me da mesa e escrevi “Uma mensagem a Garcia” de uma assentada. Entretanto liguei tão pouca importância a este artigo, que até foi publicado na Revista sem qualquer título. Pouco depois da edição ter saído do prelo, começaram a afluir pedidos para exemplares adicionais do número de Março do “Philistine”: uma dúzia, cinquenta, cem, e quando a American News Company encomendou mais mil exemplares, perguntei a um dos meus empregados qual o artigo que havia levantado o pó cósmico.

- Esse de Garcia – retrucou-me ele.

No dia seguinte chegou um telegrama de George H. Daniels, da Estrada de Ferro Central de Nova York, dizendo: “Indique preço para cem mil exemplares do artigo sobre Rowan, sob forma folheto, com anúncios estrada de ferro no verso. Diga também até quando pode fazer entrega “.

Respondi indicando o preço, e acrescentando que podia entregar os folhetos dali a dois anos. Dispúnhamos de facilidades restritas e cem mil folhetos afiguravam-se-nos um empreendimento de monta.

O resultado foi que autorizei o Sr. Daniels a reproduzir o artigo conforme lhe aprouvesse. Fê-lo então em forma de folhetos, e distribuiu-os em tal profusão que, duas ou três edições de meio milhão se esgotaram rapidamente. Além disso, foi o artigo reproduzido em mais de duzentas revistas e jornais. Tem sido traduzido, por assim dizer, em todas as línguas faladas.

Aconteceu que, justamente quando o Sr. Daniels estava fazendo a distribuição da Mensagem a Garcia, o Príncipe Hilakoff, Diretor das Estradas de Ferro Russas, se encontrava neste país. Era hóspede da Estrada de Ferro Central de Nova York, percorrendo todo o país acompanhando o Sr. Daniels. O príncipe viu o folheto, que o interessou, mais pelo fato de ser o próprio Sr. Daniels quem o estava distribuindo em tão grande quantidade, que propriamente por qualquer outro motivo.

Como quer que seja, quando o príncipe regressou à sua Pátria mandou traduzir o folheto para o russo e entregar um exemplar a cada empregado de estrada de ferro na Rússia. O breve trecho foi imitado por outros países; da Rússia o artigo passou para a Alemanha, França, Turquia, Hindustão e China. Durante a guerra entre Rússia e o Japão, foi entregue um exemplar da “Mensagem a Garcia” a cada soldado russo que se destinava ao front.

Os japoneses, ao encontrar os livrinhos em poder dos prisioneiros russos, chegaram à conclusão que havia de ser cousa boa, e não tardaram em vertê-lo para o japonês. Por ordem do Mikado foi distribuído um exemplar a cada empregado, civil ou militar do Governo Japonês.

Para cima de quarenta milhões de exemplares de “Uma Mensagem a Garcia” têm sido impressos, o que é sem dúvida a maior circulação jamais atingida por qualquer trabalho literário durante a vida do autor, graças a uma série de circunstâncias felizes.

Written by Nilzo Andrade Jr.

maio 30th, 2009 at 1:47 pm

Mozart, Beatles, Gates e as 10.000 horas

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Vale a pena ler os livros de Gladwell.

Vale a pena ler os livros do Gladwell.

Qual é a chave do sucesso? Bom, é claro, precisaríamos definir o que é sucesso, assunto que ultimamente tem gerado várias interpretações. Mas, para simplificar, vamos entendê-lo como aquilo que caiu no gosto do grande público, o que é popular. Assim, as sinfonias de Mozart, as canções do Beatles e as janelas do Bill Gates servem de bom exemplo do que é pop.

Li recentemente o Outliers – Fora de Série, do Malcolm Gladwell. O livro discute sobre como algumas pessoas conseguiram destacar-se, ou seja, o que fizeram para ter sucesso. E, para isso, o autor discorre sobre a importância da cultura, da família, dos amigos, da origem dos antepassados e da época de nascimento como fatores determinantes  no bom desempenho de seus projetos. Mas o grande ponto abordado é a regra das 10.000 horas, pesquisada por estudiosos.

Ela diz que, para atingir a excelência, você deve ter uma acúmulo de prática de 10.000 horas, o que equivaleria a 20h/semana em 10 anos ou 40h/semana em 5 anos. Tendemos a ser simplistas em nossas análises, achando que o sucesso e a genialidade são devidos exclusivamente à lapsos de criatividade, mas parece que o reconhecimento tem mais haver com suor do que com uma boa idéia.

Gladwell cita o exemplo de Mozart, reconhecido como um grande gênio. Ele começou a compor em torno dos 7 anos e é verdade que conhecemos algumas boas peças escritas na época da sua adolescência.  Mas as grandes sinfonias foram escritas após os 21, quando ele já acumulava bem mais de 10.000 horas de treinos, composições e apresentações.

Os Beatles, antes de estourarem, sangravam os dedos tocando muito. Eles apresentaram-se ao vivo por mais de 1.200 vezes a convite de um dono de um bar em Hamburgo, Alemanha, entre 1960 e 1964. Lennon e McCartney somavam mais de 10 anos de composições em conjunto quando retornaram à Inglaterra e estouram no mundo. Na época, eles tocavam como ninguém.

Gates também teve o seu momento de ralação. Gladwell teve a oportunidade de entrevistá-lo e ele contou uma história bem inspiradora. Na época de sua adolescência, Gates teve a oportunidade de ter, em sua escola, uma computador disponível para fazer programações. Lembre-se que isso era na década de 70, momento histórico onde computadores eram raridade. Assim, passava todas as horas possíveis programando, mesmo em seu período de férias. A chance de ter este tempo de prática, a inspiração gerada por Steve Jobs e uma visão empresarial geraram a Microsoft e o Windows.

A esta altura, tenho certeza de que você já está calculando o número de horas que você já se dedicou ao que gosta. Lembre-se: para ser reconhecido, tenha disciplina, constância e dedicação. Esteja preparado para as oportunidades, pois este é o único fator do sucesso que você pode dominar. Os demais parecem ser casualidades.

Written by Nilzo Andrade Jr.

maio 25th, 2009 at 10:46 am

Graham Bell, o charlatão?

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"Será que alguém vai atender?"

"Será que alguém vai atender?"

Veja este relato, escrito pelo educador DeRose:

Desde bem jovem o cientista Graham Bell começou a trabalhar no projeto que o imortalizaria: o telefone. E, como sempre acontece, pagou caro por isso.

Bell queria casar-se com uma jovem. Certo dia o pai da donzela mandou chamar o pretendente à sua casa e humilhou-o de todas as formas, acusando-o de ser um vagabundo, dizendo que não trabalhava, que não tinha futuro, que era um João Ninguém e que se persistisse com a intenção de casar-se com sua filha, deveria abandonar aquelas idéias malucas de inventar um tal de telefone e arranjar um emprego.

Graham Bell não podia perder tempo com emprego, já que agasalhava um ideal muito maior. Ele tinha objetivo e sabia o que queria. Sabia que era possível transmitir a palavra pelos fios telefônicos, coisa tida na época como quimera. Ele sofria muita necessidade, passava muita fome e não tinha roupas decentes para cortejar sua eleita. Às vezes, alguma boa alma o convidava para jantar e isso era o que o mantinha vivo.

Trabalhando dia e noite, certo dia conseguiu fazer o telefone funcionar. Aquele jovem acabara de inventar o aparelho de comunicação que um século depois estaria em todas as residências e empresas do mundo! Mas… o inesperado ocorreu. Um concorrente invejoso, querendo para si os direitos da descoberta, conseguiu convencer a opinião pública de que Graham Bell era um charlatão e o legítimo inventor do telefone foi processado. Durante o julgamento foi insultado e ultrajado. Os jornais o chamaram de vigarista e charlatão. Ele foi coberto de vergonha e exprobração.

Como consolo, no final de muito sofrimento, Graham Bell ganhou a questão judicial e teve o seu nome limpo.

Por isso, meu amigo, mantenha-se firme!

Written by Nilzo Andrade Jr.

maio 21st, 2009 at 7:21 am

A Perdigão venceu 2 campeonatos

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Nildemar Secches (à esquerda) é o FenIomeno!

Nildemar Secches (à esquerda) é o Fenômeno!

Como dona da Batavo, venceu o Campeonato Paulista 2009 com a vitória do patrocinado Corinthians. Mas a grande vitória mesmo foi na fusão com a Sadia.

Trabalhei na empresa do Lequetreque (aquele franguinho simpático que estampa os comerciais) durante 8 anos, sendo que nos últimos 4 fiz parte do corpo executivo. Eu percebia um grande orgulho em todos por fazer parte de uma das principais empresas do país. O exemplo de liderança do fundador, Attilio Fontana, permeava os corredores, principalmente na antiga cidade sede, Concórdia. Havia uma aura mágica que embalava o crescimento constante. Os feitos dele eram comentados por todos.

 

O Lequetreque já tomou partido.
O Lequetreque já tomou partido.

Em meus tempos por lá, a Sadia era cerca de 3 vezes maior do que a Perdigão, que passava por momentos de crise até ser capitaneada pelo competentíssimo Nildemar Secches. Com experiência no BNDES, ele assumiu o compromisso de salvar a empresa, mas acredito que ninguém na Sadia imaginava a que ponto chegaria esta história.

Neste tempo, a Perdigão comprou a já citada Batavo, as margarinas da Unilever, a Sino dos Alpes Alimentos, entra tantas outras empresas. Até que, em 2007, deu o golpe de misericórdia: comprou a gaúcha Eleva e ultrapassou a concorrente. Isso tudo aconteceu em menos de 18 anos, esquivando-se inclusive de uma oferta de compra hostil por parte da Sadia.

Esta é uma grande vitória da Perdigão, que merece todas as honras por sua competência. O modelo de liderança e sua gestão deram um banho de profissionalismo no campeonato do mercado. Só espero que meus grandes amigos que por lá trabalham tenham espaço na Brasil Foods, e que sem acostumem a morar em Itajaí, que será a sede da nova empresa.

Ah, e espero que Attilio Fontana não revire-se na tumba.

Written by Nilzo Andrade Jr.

maio 20th, 2009 at 10:55 pm